terça-feira, 27 de março de 2012

A operação Cachoeira 2007 na revista Veja para salvar Demóstenes e Perillo

Revista Veja constrangeu reportagens investigativas sobre Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira, forjando a surrada técnica de contra-informação usada por José Serra, de se passar por vítima de dossiês quando é flagrado em algum escândalo de corrupção.
http://veja.abril.com.br/101007/p_060.shtml

Uma matéria de contra-informação publicada na revista Veja em 2007 para blindar o senador Demóstenes Torres (DEM/GO) das acusações que agora vem ao conhecimento público, reforça indícios da associação da revista Veja com Carlinhos Cachoeira.

Em 2007, o senador Demóstenes Torres (DEMos/GO) conspirava no conselho de ética no Senado e na imprensa para cassar o então presidente do senado Renan Calheiros (PMDB/AL), acusado de ter contas supostamente pagas por um lobista de uma empreiteira.

Por trás da trama do denuncismo, a preocupação com a ética passava longe. Havia apenas a disputa política pelo poder no Senado.

Os peemedebistas revidavam com denúncias semelhantes contra senadores demotucanos, mostrando que outros senadores faziam o mesmo ou pior, de forma que, se fosse motivo para cassação, teria que cassar todos que fizeram o mesmo.

Em Goiás já havia um antigo zum-zum-zum da proximidade do bicheiro Carlinhos Cachoeira com o senador Demóstenes Torres (DEM/GO), e agora sabemos que havia uma investigação da Polícia Federal já em curso desde abril de 2006, onde aparecem relatos de pagamento de 30% da jogatina para a caixinha de Demóstenes.

Neste contexto de 2007, a revista Veja publicou naquela época uma matéria acusando o atual deputado federal Chiquinho Escórcio (PMDB/MA) de mandar espionar Demóstenes e Marconi Perillo (na época era senador), através de um suposto pedido ao ex-deputado Pedrinho Abrão, para instalar câmaras no hangar de sua empresa de táxi-aéreo para registrar os vôos de Demóstenes e Perillo na companhia de lobistas.

Com a Operação Monte Carlo da Polícia Federal, Demóstenes foi flagrado pedindo a Carlinhos Cachoeira para pagar suas despesas de táxi aéreo. Observe que uma notícia destas na época em que Renan era acusado de ter contas suas pagas por um lobista, colocaria Demóstenes em situação pior, pois Cachoeira era bem mais do que lobista de empreiteira.

Agora fica claro o que era suspeita. A matéria da Veja foi peça política partidária e de contra-informação, para blindar Demóstenes e Cachoeira de denúncias.

Um jornalismo investigativo decente poderia até abordar a questão da "bisbilhotagem", mas seguiria também a pauta de uma denúncia bastante difundida em Goiás, há muito tempo, das ligações de Demóstenes com Carlinhos Cachoeira.

O "desinteresse" da Veja em apurar qualquer coisa que comprometesse Demóstenes e Cachoeira, e pelo contrário, pautando sua matéria para constranger e blindar qualquer olhar para o crime organizado em Goiás e suas entranhas com políticos graúdos, coloca a revista em situação delicada, principalmente quando ficamos sabendo que seu editor-chefe, Policarpo Júnior, foi flagrado pela Polícia Federal trocando mais de 200 telefonemas com Cachoeira.

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